Repasse médico: conheça a melhor forma de pagar profissionais sem riscos
Muitos gestores de clínicas vivem sob uma verdadeira “bomba-relógio” sem saber. O cenário é comum: a clínica recebe o pagamento do paciente, emite a nota fiscal total e depois repassa a parte do profissional parceiro via Pix ou dinheiro.
O problema é que esse “repasse por fora” é irregular e a Receita Federal tem intensificado o cruzamento de dados de movimentações bancárias. Na nossa experiência aqui na ContaDr, vemos que essa prática pode gerar multas pesadíssimas e cobranças retroativas de impostos que chegam a comprometer a existência do negócio.
Neste artigo, vamos explorar as opções legais para regularizar esse processo e proteger o seu patrimônio.
Por que o repasse via Pix (por fora) é um perigo real?
A partir de janeiro de 2026, a fiscalização sobre movimentações acima de R$ 5.000,00 será ainda mais rígida. Quando a clínica faz o repasse informal:
O profissional não declara esse ganho e pode ser tributado em até 27,5% de Imposto de Renda.
A clínica pode ser autuada para pagar o INSS patronal (cerca de 20% a 28%) sobre todos os valores repassados nos últimos cinco anos.
O risco de quebra do negócio por multas e juros acumulados é altíssimo.
As formas tradicionais de repasse e suas limitações
Existem caminhos legais, mas nem todos são vantajosos financeiramente para a realidade de uma clínica médica ou odontológica:
1. CLT (Carteira Assinada)
É o modelo mais seguro juridicamente, mas o custo é elevado devido a encargos como 13º salário, férias e FGTS. No mercado de saúde, 99% das clínicas não utilizam este formato para profissionais parceiros pela baixa viabilidade financeira.
2. RPA (Recibo de Profissional Autônomo)
Indicado apenas para serviços esporádicos. O custo tributário é um dos maiores, pois exige retenção de INSS e Imposto de Renda na fonte, o que reduz drasticamente o valor líquido que o médico recebe.
3. Repasse entre PJs (Empresas)
O profissional abre um CNPJ e emite nota contra a clínica. Embora seja melhor que o informal, gera bitributação: a clínica paga imposto sobre o faturamento total e o médico paga novamente sobre a parte dele.
O modelo ideal: Corpo Clínico e Split de Pagamento
Como vimos em nossas consultorias, a estratégia mais eficiente para clínicas com mais de 5 profissionais ou repasses mensais acima de R$ 30.000,00 é a estrutura de Corpo Clínico associada ao Split de Pagamento.
Como funciona na prática?
Nesse formato, cria-se um segundo CNPJ (o Corpo Clínico) que não possui os ativos ou obrigações da clínica principal, servindo apenas para a prestação de serviços dos profissionais sócios.
Split de Pagamento: Ao pagar uma consulta de R$ 1.000,00, o sistema divide o valor automaticamente na origem.
Divisão de Notas: A clínica emite nota fiscal da parte dela (ex: R$ 500,00) e o Corpo Clínico emite nota da parte dele (ex: R$ 500,00).
Economia Real: A clínica reduz seu faturamento tributável, eliminando a bitributação e garantindo que o dinheiro chegue à conta do médico de forma 100% legalizada.
Dica Prática: Se a sua clínica fatura acima de R$ 250.000,00 por mês, você pode considerar uma empresa intermediadora de repasses para automatizar ainda mais essa gestão.
Perguntas Frequentes
O paciente pode receber duas notas fiscais de uma mesma consulta? Sim, isso é perfeitamente legal. O paciente recebe uma nota referente aos serviços da clínica (infraestrutura) e outra referente à prestação de serviço médico. Ambas podem ser utilizadas para dedução no Imposto de Renda do paciente sem problemas.
Quais as vantagens para o médico que recebe pelo Corpo Clínico? O profissional passa a ter rendimentos 100% lícitos e comprováveis, o que facilita a compra de imóveis e evolução patrimonial. Além disso, ele paga menos impostos do que se recebesse como pessoa física (RPA) ou por bitributação de notas entre PJs.
Preciso de um sistema específico para fazer o Split? Sim. É necessário que a maquininha de cartão ou o banco ofereça a tecnologia de split de pagamento para que a divisão do dinheiro aconteça de forma automatizada e transparente para o fisco.
Conclusão
Não espere a fiscalização bater à sua porta para regularizar o que é vital para o seu negócio. O repasse médico feito de forma estratégica, através de um Corpo Clínico e tecnologia de Split, é o que separa clínicas que lucram de clínicas que apenas sobrevivem ao risco tributário.
Quer entender se essa estrutura se aplica à sua realidade? Agende uma consultoria com os especialistas da ContaDr e proteja sua clínica hoje mesmo.